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A Ansiedade: uma visão geral e abordagem terapêutica.

  • Foto do escritor: Maria Luiza Melo Machado
    Maria Luiza Melo Machado
  • 13 de out. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: 19 de out. de 2025

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A ansiedade é uma resposta fisiológica e psicológica natural do organismo frente a situações percebidas como ameaçadoras ou estressantes, podendo desempenhar um papel adaptativo ao preparar o indivíduo para lidar com desafios. No entanto, ela se torna um problema quando sua manifestação se torna exagerada, persistente e desproporcional à situação. Nesses casos, a intensidade excessiva do medo e da preocupação passa a comprometer o funcionamento diário, levando a uma série de prejuízos em diversas áreas da vida.

Essa ansiedade patológica, muitas vezes crônica, pode levar a um ciclo de evitação e isolamento, no qual a pessoa evita situações que a fazem sentir medo. Os impactos da ansiedade excessiva se estendem a sintomas físicos crônicos, como fadiga, problemas gastrointestinais e insônia, além de poderem resultar em ataques de pânico. Ao nível emocional, a pessoa pode sofrer com baixa autoestima, irritabilidade e uma perda da sensação de controle sobre sua própria vida. Em última análise, a ansiedade deixa de ser uma resposta útil e se torna um obstáculo, limitando a capacidade do indivíduo de viver plenamente e prejudicando significativamente sua qualidade de vida.

Observa-se um crescimento expressivo da prevalência de transtornos de ansiedade entre adultos, uma fase em que o indivíduo passa por intensas mudanças biopsicossociais. Esse aumento é atribuído a uma série de fatores complexos e interligados, que vão desde as pressões acadêmicas e profissionais até as cobranças sociais e a onipresença das redes sociais, que podem intensificar sentimentos de inadequação, comparação e insegurança. A vida adulta, longe de ser um período de estabilidade, muitas vezes se revela como um campo fértil para o florescimento de ansiedade patológica, que afeta a saúde mental de milhões de pessoas.

As pressões acadêmicas e/ou profissionais, por exemplo, representam uma fonte significativa de estresse. A busca por um desempenho excepcional, a competição acirrada por poucas vagas e a sobrecarga de trabalho criam um ambiente de constante vigilância e medo do fracasso. Muitos adultos se veem em uma corrida incessante por sucesso, o que pode levar à exaustão e a quadros de ansiedade generalizada. Essa busca pode estar relacionada a uma expectativa disfuncional, podendo gerar uma pressão insustentável, comprometendo o bem-estar psicológico.

Outro fator de grande relevância é a sensação de instabilidade financeira, por sua vez, age como um catalisador poderoso para a ansiedade. A preocupação com o futuro financeiro, a insegurança no emprego e as dificuldades para manter o padrão de vida desejado são fontes de estresse crônico. Pesquisas mostram que problemas financeiros podem triplicar o risco de ansiedade e depressão. A incerteza econômica aumenta a percepção de falta de controle sobre a própria vida, contribuindo para a ansiedade e prejudicando a saúde física e mental.

As cobranças sociais também desempenham um papel crucial. A necessidade de se encaixar em padrões sociais pré-estabelecidos, seja na vida familiar, nos relacionamentos ou na imagem pessoal, gera um fardo emocional pesado. O medo do julgamento alheio e a busca por validação externa criam uma vulnerabilidade constante, que pode se manifestar como fobia social. Essa pressão para corresponder a expectativas afeta a autoestima e contribui para sentimentos de inadequação e insegurança.

Nesse cenário, o uso excessivo das redes sociais se destaca como um amplificador de ansiedade. A exposição contínua as vidas aparentemente perfeitas cria um círculo vicioso de comparação social. O medo de ficar de fora e a busca por validação quantificada, através de curtidas e seguidores, se tornam métricas de valor pessoal. Esse ambiente digital, saturado de informações e comparações, intensifica a insegurança e o estresse.

Diante desse panorama complexo, é fundamental que reconheça a necessidade de enfrentar os sintomas de ansiedade e a busca por tratamento psicológico adequado. Em casos cujos sintomas são de difícil manejo a combinação de acompanhamento com psicólogo e psiquiatra são essenciais.

Além disso, adotar hábitos de autocuidado, como exercícios físicos e alimentação saudável, também pode ajudar a gerenciar os sintomas. Conscientizar-se sobre os fatores que contribuem para a ansiedade é o primeiro passo para buscar estratégias eficazes e promover uma saúde mental mais equilibrada na vida adulta.


Tipos de Ansiedade

A ansiedade, embora seja uma resposta natural do corpo ao estresse, torna-se patológica quando se manifesta de forma excessiva, persistente e desproporcional, causando prejuízos significativos na vida diária, como: como fadiga constante, dores de cabeça frequentes, tensão muscular, problemas gastrointestinais (náuseas, diarreia), insônia e taquicardia. O DSM-5 classifica os transtornos de ansiedade em uma categoria dedicada, detalhando critérios diagnósticos para cada tipo, o que permite um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado, sendo entre os mais comuns:

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): caracterizado por preocupação crônica, excessiva e difícil de controlar sobre diversas áreas da vida, como saúde, finanças e trabalho. Os sintomas físicos incluem inquietação, fadiga, irritabilidade e tensão muscular.

  • Transtorno de Pânico: Caracterizado por ataques de pânico inesperados e recorrentes, sendo ondas de medo intenso e repentino, acompanhadas por sintomas físicos como palpitações, falta de ar, tontura e medo de morrer.

  • Fobias Específicas: Medo e ansiedade intensos e persistentes em relação a um objeto ou situação específica, como medo de altura (acrofobia), de voar ou de animais.

  • Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social): medo significativo de situações sociais ou de desempenho em que a pessoa se sente observada ou julgada por outros, levando a um comportamento de esquiva.

  • Agorafobia: Medo e esquiva de situações como usar transporte público, estar em espaços abertos ou fechados, ou em multidões, por temer que seja difícil escapar ou que não haja ajuda disponível durante um ataque de pânico.


Psicoterapia para ansiedade

O tratamento para os transtornos de ansiedade é multifacetado e pode envolver psicoterapia, farmacoterapia ou uma combinação de ambos, adaptada às necessidades individuais do paciente.

Na psicoterapia, na abordagem comportamental, a ansiedade é trabalhada de forma contextual e focada no comportamento observável. Em vez de apenas focar nos sintomas, essa abordagem investiga a função da ansiedade na vida da pessoa, buscando entender por que determinados comportamentos se mantêm ao longo do tempo.

Para isso, é necessário ter flexibilidade psicológica, que será uma das ferramentas/habilidades desenvolvida durante a psicoterapia. Ela permitirá que a pessoa lide com o desconforto emocional de maneira mais adaptativa. A abordagem não se baseia na supressão da ansiedade, mas na compreensão que emoções desagradáveis são inerentes à experiência humana e podem até ser úteis em certas situações. Pois, as emoções são bússolas em que o norte é o “eu”.

A flexibilidade psicológica é desenvolvida a partir da prática da auto-observação, que ensina a distinguir entre os fatos objetivos e as reações internas. Durante o tratamento, a pessoa ansiosa aprende a diferenciar:

  • Experiências dos sentidos: os fatos concretos percebidos pelos cinco sentidos (o coração batendo rápido, o suor nas mãos).

  • Experiências da mente: os pensamentos, emoções, impulsos e memórias que surgem em resposta aos fatos (pensamentos catastróficos, medo de morrer).

Essa distinção é fundamental para o tratamento da ansiedade, pois permite que o paciente perceba que seus pensamentos ansiosos não são verdades absolutas, mas eventos mentais que podem ser observados sem que a pessoa se funda a eles. Em vez de tentar controlar ou fugir desses pensamentos e sentimentos, o indivíduo aprende a ler os significados deles, escolhendo agir de acordo com seus valores pessoais.


Considerações Finais

O tratamento dos transtornos de ansiedade requer uma abordagem abrangente e individualizada. A combinação de psicoterapia e estratégias complementares, sob a orientação de profissionais de psicologia, é fundamental para o sucesso do tratamento e para a recuperação da qualidade de vida.


O diagnóstico precoce e o manejo adequado dos quadros ansiosos são passos essenciais para a eficácia do tratamento para ansiedade. Para saber mais entre em contato!




Referências


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